BETT - o futuro do outro lado da mancha.

No jornal da noite da SIC, no espaço de reportagem "Futuro Hoje", passou um peça muito interessante denominada "Tecnologia para a Educação" sobre a BETT.

A BETT, em Londres, é a feira anual onde se pode ver o melhor que hoje se faz em tecnologia para a educação. Para quem ainda veja as salas de aula como secretárias viradas para um quadro preto com giz pode ser um choque.
O vídeo da reportagem pode ser visto aqui mesmo:

O ensino das ciências já está no séc. XXI?...

E é precisamente no WIZiQ, de que falei na entrada anterior, que encontro uma das apresentações mais interessantes que vi nos últimos tempos. Onde se fala da evolução do ensino das ciências desde os idos de 40 aos nossos dias. Sam Zigrossi, professor de uma escola texana, faz uma viagem pelas modas da educação americana, principalmente na área das ciências, e mostra-nos que o ensino actual ainda tem muito do Modelo Industrial e desafia-nos a entrar definitivamente no século XXI (sorte a do Sam, que não vive em Portugal e tem tempo para reflectir sobre as suas práticas pedagógicas...).
Mas o melhor é ver...

atenção: esta apresentação é um mero slideshow. Não demonstra o funcionamento do Virtual Classroom do WIZiQ...

WIZiQ - Sala de aula virtual

Devo andar distraído. Só posso andar distraído. Como é que só hoje encontrei o WIZiQ? Uma ferramenta cujas características são tão óbvias só podia mesmo já existir... Nestas coisas da Web 2.0, quando se pensa que seria interessante ter um serviço que permitisse... - já existe! Podemos não saber, mas já existe. É o caso do WIZiQ, uma plataforma de ensino e aprendizagem que nos permite conversar em tempo real com quem queremos e partilhar um quadro branco onde todos podem escrever e desenhar. Mas não é tudo: também é possível fazer o upload de diversos tipos de documentos (.ppt, .doc, .pdf) e mostrá-los aos participantes da sessão. Os PowerPoints mantêm as animações originais e tudo! Todos podem colocar questões, escrever no quadro branco ou sobre os próprios documentos. Parece-me o serviço perfeito para, por exemplo, explicações online. Com um tablet PC, tirando partido da escrita sobre o ecrã, deve funcionar muito bem. E ainda há mais: a sessão pode ser gravada e vista assincronamente por quem quiser...
Claro, tudo isto tem um preço, não é?... Não! É de borla.
(sei que isto parece um texto publicitário, mas ainda estou fascinado por esta descoberta recente)
Defeitos? Poucos, mas alguns. Por exemplo, se a ligação à Net não for boa a experiência pode ser frustrante.
Mas o melhor é experimentar e assistir pelo menos a parte de uma das sessões de demonstração. É só clicar aqui. (o arranque pode ser lento mas vale a pena ver as potencialidades da ferramenta)

Excessos e pobrezas nos discursos sobre educação

A partir do Terrear, chego a este texto muito interessante do António Nóvoa sobre os excessos e as pobrezas dos diversos discursos sobre a educação. Basta ler o resumo para perceber da pertinência do documento (independentemente de já ter 9 anos, continua actual):

Este artigo procura analisar a “realidade discursiva” que marca grande parte dos textos sobre educação neste final de século. A chave de leitura do artigo é a lógica excesso-pobreza, aplicada ao exame da situação dos professores: do excesso da retórica política e dos mass-media à pobreza das políticas educativas; do excesso das linguagens dos especialistas internacionais à pobreza dos programas de formação de professores; do excesso do discurso científico-educacional à pobreza das práticas pedagógicas e do excesso das “vozes” dos professores à pobreza das práticas associativas docentes. Não recusando um pensamento “utópico”, o autor critica as análises “prospectivas” que revelam um “excesso de futuro” que é, ao mesmo tempo, um “défice de presente”.
A não perder de modo nenhum a parte em que o autor fala "do excesso do discurso científico-educacional à pobreza das práticas pedagógicas", onde a sua análise se revela de assinalável exactidão:
A ligação da Universidade ao terreno (curiosa metáfora!) leva a que os investigadores fiquem a saber o que os professores sabem, e não conduz a que os professores fiquem a saber melhor aquilo que já sabem. A estratégia de desapossar os professores dos seus saberes serve objectivos de desenvolvimento da carreira dos universitários, mesmo que se legitime com o argumento de que serve para o desenvolvimento profissional dos professores.

O Scribd - como embeber documentos

Vai sendo muito habitual vermos vídeos embebidos nos blogues. O procedimento é simples: copia-se um código no site de partilha de vídeos (YouTube,...) que se cola no HTML do post do blogue.
Mas quando se quer partilhar um documento (do tipo .doc ou .pdf) geralmente usa-se uma ligação para o mesmo e permite-se a leitura e o download a quem o queira ler... se tiver o Word ou o Adobe Reader.
Mas há outra solução que torna possível, à semelhança dos vídeos, embeber o documento no próprio blogue: chama-se Scribd e, não por acaso, também é conhecido por YouTube dos documentos...
O processo de upload dos documentos - que podem ser dos mais variados formatos - é simples, tal como a posterior colocação dos mesmos no blogue.
Para demonstrar as potencialidades do Scribd, deixo de seguida uma entrevista que o Professor Eric Mazur deu à Gazeta da Física. Pode ser lida no próprio blogue ou, melhor ainda, clicando no pequeno botão à direita da barra de botões abre-se uma janela em fullscreen.

Os próximos 50 anos...

O escritor Arthur C. Clarke formulou aquela que viria a ser conhecida por Primeira Lei de Clarke: "Quando um distinto mas velho cientista declara que algo é possível tem quase de certeza razão. Quando declara que algo é impossível, está quase de certeza errado." Por outras palavras, quando os cientistas fazem previsões erradas, quase sempre erram porque prvêem que o futuro será demasiado semelhante ao presente.

Daniel Gilbert
, Tropeçar na Felicidade, p. 149, Estrela Polar
Sendo assim, vamos lá saber o que uma equipa de prospectiva tecnológica da British Telecom prevê para os próximos 50 anos. (é melhor arranjar uma cadeira...)

Podcasting

Hoje, o JN dá algum destaque à utilização do podcasting em contexto de sala de aula (às vezes, os media tradicionais ainda são capazes de nos surpreender...).
Curiosamente, ainda ontem vi na RTP2 uma alusão ao Estúdio Raposa, um blogue do Luís Gaspar, conhecido locutor da televisão. No mesmo é possível encontrar inúmeros podcasts com os mais variados textos de língua portuguesa. Do mesmo Luís Gaspar é o projecto Palavras d'Ouro, site no qual reúne um considerável acervo de textos de autores portugueses e estrangeiros. Muitos desses textos são vocalizados pelo próprio.

Dizer poesia tem muito que se lhe diga...
Sinceramente, não gosto do modo como o Luís Gaspar diz muitos dos poemas. Mas devo ser esquisito. Também nunca gostei muito de ouvir o Vilarett, principalmente os poemas mais íntimos. O épico é que lhe ficava bem. Prefiro o Mário Viegas. Os DVD's com as gravações que fez para a RTP deviam ser oferecidos às escolas... A perfeição só é atingida pelo Luís Miguel Cintra a dizer Ruy Belo! Ou então o Ary a dizer os seus poemas, como este - (clicar na seta azul) O Objecto.

Fazer parte...

Depois de quase cinco anos a trabalhar para o Google, nomeadamente no Gmail e no Google Reader, Kevin Fox decidiu dar uma volta à vida e começar de novo. À saída, deixou muitos elogios à empresa tendo afirmado:

Google is the first place I've ever worked where I feel that I'm part of the company as opposed to working for the company.
Ao ler isto, lembrei-me da proposta para o novo modelo de gestão das escolas.
Por que será?

A esperança faz mal à saúde!

Pois é: ter esperança que as coisas nos irão correr melhor no futuro pode ser prejudicial à nossa qualidade de vida. Um estudo (eh eh eh, muito gosto destes estudos...) feito pela Universidade de Michigan aponta nesse sentido - quem espera, desespera. A notícia, do NYT, está aqui e pode ser lida na íntegra.

Sobre isto, recordo que, há cerca de um mês, fiz uma pequena provocação à Idalina Jorge, no seu Paideia. Um post que lá colocou faz uma citação de Seligman:

O pessimismo é um hábito enraizado que tem consequências devastadoras e nefastas: humor depressivo, resignação, insucesso e, surpreendentemente, falta de saúde.
Ao ler aquilo, resolvi inverter a causa e o efeito e deixei assim na caixa de comentários:
A falta de saúde é um azar genético que tem consequências devastadoras e nefastas: humor depressivo, resignação, insucesso e, naturalmente, pessimismo.
Mal eu sabia que o pessoal de Univ. de Michigan me iria dar razão - o pessimismo é como as vitaminas!

P.S.: Ou seja, meus amigos, o melhor é não ter esperança em remodelações governamentais... Vai dar azia - estou a avisar!

O melhor é desistir!

É ideia corrente que nunca devemos desistir dos nossos objectivos. Parece, no entanto, que a partir de um determinado nível, o melhor para a saúde é desistir mesmo.
Ver aqui a notícia "Quitting can be good for you", já com alguns meses, a partir do NY Times...

Bom aluno, aluno dotado e aluno criativo


Interessante este texto sobre as diferenças entre três tipos de alunos: o que tira boas notas, o que aprende bem e o que é um pensador criativo.

Já agora, também relacionado com a criatividade, este artigo do N. Y. Times, onde lá para o fim se faz uma referência a um livro com o subtítulo "How What We Know Limits What We Can Imagine" - o que me faz recordar uma entrevista da Agustina Bessa-Luís na qual afirmava que a sua melhor qualidade como escritora era a falta de memória.

e-Learning e comunidades

A comunidade online Escola 2.0, fundada pelo professor Fernando Costa, organizou recentemente uma conferência subordinada ao tema "e-Learning e Comunidades". Da sessão, com a participação do professor João Paiva, ficou o registo em vídeo que abaixo segue (qualidade de imagem sofrível...):


Já agora:

Ensinar para o exame

Na Amazon, enquanto procuro livros sobre "project based learning" com enfoque nas ciências, e a propósito do livro "Problem-Based Learning for Math and Science: Integrating Inquiry and the Internet", encontro um comentário de uma leitora que diz o seguinte:

A new instructional paradigm has emerged, one very much affected by recent cognitive and neuroscientific research. One in which skills such as problem solving and critical thinking as well as the ability to rapidly acquire, process, and apply new information, have become vital to success. Yet, as we all know too well, school reform in America today is primarily a matter of ratcheting up standards and then testing children to make certain they are measuring up. There is little time left to devote to the development of intellectual curiosity or any sense of 'meaningful' learning. The current 'teaching-to-the-test' hysteria deprives students of real mental challenge.
Não é que valha de grande coisa, mas sempre consola um pouco confirmar que não estamos sós na lógica absurda do quanto-mais-exame-melhor...

Trabalhadores da informação

Na BBC, com a data de hoje, Bill Gates assina um pequeno mas muito interessante artigo onde afirma:

One of the most important changes of the last 30 years is that digital technology has transformed almost everyone into an information worker.
In almost every job now, people use software and work with information to enable their organisation to operate more effectively.
That's true for everyone from the retail store worker who uses a handheld scanner to track inventory to the chief executive who uses business intelligence software to analyse critical market trends.
So if you look at how progress is made and where competitive advantage is created, there's no doubt that the ability to use software tools effectively is critical to succeeding in today's global knowledge economy.
(...) Today and in the future, many of the jobs with the greatest impact will be related to software, whether it is developing software working for a company like Microsoft or helping other organisations use information technology tools to be successful.
(...) Software innovation, like almost every other kind of innovation, requires the ability to collaborate and share ideas with other people (...)
I also place a high value on having a passion for ongoing learning. (...) Having that kind of curiosity about the world helps anyone succeed, no matter what kind of work they decide to pursue.

TED Talks

Indirectamente, já aqui falei das fantásticas TED Talks quando postei um vídeo com uma conversa de Ken Robinson sobre a criatividade.
Mas as TED Talks são uma iniciativa que merece destaque especial. Segundo os próprios:

We believe passionately in the power of ideas to change attitudes, lives and ultimately, the world. So we're building here a clearinghouse that offers free knowledge and inspiration from the world's most inspired thinkers, and also a community of curious souls to engage with ideas and each other.
A conferência anual dá origem a inúmeros vídeos de inegável interesse, uma vez que se reúnem cientistas, pensadores e artistas para falarem (em 18 minutos...) do que vão fazendo nas áreas da Tecnologia, Entretenimento e Design (TED).
No Youtube, há um canal com esses vídeos (são 154 ao todo, nesta data) e são do melhor que se pode encontrar na Internet. A servir de exemplo, deixo a seguir o vídeo da interessantíssima apresentação de Larry Lessing intitulado "How creativity is being strangled by the law", onde se fala da nova cultura da "Remistura" e dos problemas legais associados (pelo meio, alguns momentos de humor negro...):

PISA 2006

O PISA é um estudo internacional sobre os conhecimentos e as competências dos alunos de 15 anos, nomeadamente nas áreas de leitura, matemática e ciências. Os dois primeiros ciclos, realizados em 2000 e 2003, incidiram principalmente sobre as competências de leitura e matemática, respectivamente. Em 2006, cujo relatório foi divulgado há dias, o enfoque foi dado às ciências. Em Portugal o estudo envolveu 173 escolas (sendo 155 públicas e 18 privadas), abrangendo 5.109 alunos com 15 anos, desde o 7.º ao 11.º ano de escolaridade.
Infelizmente, como é habitual, não ficámos bem na fotografia. Ao que parece, os nossos miúdos até revelam elevada auto-confiança nas respectivas capacidades. O problema começa quando têm de demonstrar o que de facto são capazes de fazer... Apesar de algumas melhorias relativamente a anos anteriores, continuamos abaixo da média da OCDE. Há algumas conclusões interessantes: o factor sócio-económico é determinante, os rapazes são ligeiramente melhores do que as raparigas e os alunos com 15 anos que se encontram no 10.º ano (nunca ficaram retidos) têm desempenhos acima da média da OCDE. Como se pode ver no gráfico abaixo, os que estão no 10.º ano até se portam bem, o problema é que temos muitos alunos de 15 anos que já ficaram retidos uma, duas ou mais vezes...


O relatório encontra-se disponível no GAVE, mas pode-se fazer o download directamente aqui (.pdf)

Finalistas dos Edublog Awards 2007

Já se conhecem os finalistas de 2007 dos "Edublog awards". Os américas adoram estas coisas. A verdade é que, no meio de tanto blog, é possível encontrar pedras preciosas.
Lista completa aqui.

Timeline

Já que tanto tenho falado de tempo, não resisto a deixar aqui uma ferramenta que me parece ter evidentes qualidades pedagógicas: CircaVie. Trata-se de um serviço que nos permite criar facilmente um friso cronológico (timeline). O melhor de tudo é que é possível inserir fotos e vídeos nas entradas do friso. Obviamente, o poder educativo de uma ferramenta deste tipo é imenso. Para professores de História e não só...
Vamos fazer um pequeno passeio pelos anos 80? (uma perspectiva americana...)

Avaliação

No Aragem, há quase um mês, o Miguel Pinto colocou um excerto do livro "Avaliação das aprendizagens: Desafios às Teorias, Práticas e Políticas", de Domingos Fernandes, da Texto Editores.
É um texto (e será um livro) que me parece bastante pertinente sobre as práticas e as políticas avaliativas.
A avaliação é uma área (entre tantas outras...) onde há muito a melhorar. Nesse excerto faz-se uma listagem de alguns dos problemas a resolver. Eis alguns:

  • a convicção por parte de muitos professores de que, através dos testes, estão a avaliar aprendizagens profundas;
  • a confusão entre a avaliação formativa e a avaliação certificativa ou sumativa é um problema que parece indiciar que existirão poucas práticas de avaliação genuinamente formativa;
  • a função certificativa e classificativa da avaliação, a atribuição de notas, está claramente sobrevalorizada em detrimento da função destinada a analisar o trabalho dos alunos para identificar necessidades e para melhorar as aprendizagens;
  • a tendência para comparar os alunos entre si, levando-os a crer que um dos propósitos principais da aprendizagem é a competição em vez do crescimento pessoal.
A Isabel Campeão, na caixa de comentários, deixou um texto também interessante oriundo da APM sobre avaliação formativa e avaliação sumativa, onde se pode ler:
A investigação em educação realizada nas últimas décadas tem evidenciado claramente que a avaliação formativa é um poderoso processo de desenvolvimento das aprendizagens dos alunos.
Termino com a última frase do excerto do livro citado, que remete, uma vez mais, para a questão do tempo e que talvez explique por que razão, como acima afirmei, ainda há tanto por fazer nesta área...
Todo o tempo é pouco para que os professores se possam dedicar ao essencial: ajudar os alunos a desenvolver as suas aprendizagens.

Wetpaint - easy Wiki

Desde que o António Granado provocou, tenho andado com a ideia dos Wiki-manuais a ruminar no sótão. Mas todas as plataformas que vou encontrando me desagradam por um motivo ou por outro. Principalmente pelo formato pouco aberto a inserção de código externo, demasiadamente voltado para o texto e com poucas opções de configuração.
Recentemente experimentei o Wetpaint e parece-me que finalmente encontrei uma plataforma Wiki com muitas qualidades (muitos templates, facilidade de navegação, abertura ao exterior, ajuda acessível, fórum, etc.) e poucos defeitos (talvez o maior seja uma definição de privilégios pouco fina...). Tal como o Wikispaces, também o Wetpaint permite que um Wiki com fins educacionais se veja livre de publicidade.
Na Blip.tv encontrei um vídeo das Common Craft Productions precisamente sobre o Wetpaint. Interessante, como sempre:



Nota posterior: pois é, basta escarafunchar um pouco mais e encontramos defeitos. Apesar de muita coisa boa, duas podem limitar bastante o Wetpaint: só é suportado o Inglês (o que para Wikis educacionais é uma limitação severa) e não é possível embeber HTML...
Ora bolas! Será que temos de esperar que o JotSpot apareça finalmente integrado no Google, como ainda hoje li?